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A escolha entre a carreira profissional e a maternidade
Para algumas mulheres a opção maternidade implica em assumir todos os prazeres do acompanhamento e da educação do filho abandonando as atividades profissionais logo após o término da licença maternidade (em alguns casos já durante a gravidez) e assim permanecendo por um período de tempo indeterminado.
Vale ressaltar que o retorno ao mundo do trabalho é sempre mais complicado para quem dele permanece afastado durante um espaço de tempo e trabalhos em curtas jornadas são mais difíceis de encontrar. Especialistas em empregabilidade consideram que o período de três meses já é tempo suficiente para dificultar o acompanhamento das constantes mudanças existentes no mundo do trabalho independentemente da área profissional em que se atue.
Neste período, salvo algumas exceções, a mulher passa a depender financeiramente do marido ou dos pais (como é o caso de muitas jovens) e emocionalmente dependem do filho (que apesar de ser pequenino, conduz integralmente o tempo da mãe).
Já para a mulher que opta pela continuidade na carreira profissional e a todos os seus desafios compete deixar o filho em período integral em uma “escolinha” (para aquelas que podem arcar com as despesas de uma escola particular) ou em creches (ressaltando a tamanha dificuldade em encontrar vagas em creches públicas para atender às mães que não têm onde deixar seus filhos e aqui fica registrada a falha dos órgãos competentes que não melhoram essa realidade) – ou ainda ter de recorrer a um parente próximo, na grande maioria das vezes a avó é eleita para essa missão.
Cabe aqui um comentário especial sobre o papel da avó nesse episódio, pois ela se vê obrigada a colaborar e assumir a criação do neto enfrentando os grandes conflitos de gerações – pois as crianças de hoje são, em muito, diferentes das crianças de algumas décadas no que tange a comportamento e posturas, entre outros.
Nas escolinhas e creches as “tias” se desdobram em atenção para atender às necessidades dos “estudantes de fraldas” e tentar conduzir a educação de várias crianças ao mesmo tempo, com costumes e hábitos próprios e peculiares de cada família.
Assim, as mães que optaram pelo prosseguimento das carreiras profissionais convivem com os sentimentos constantes de culpa, remorso e outros que formam um coquetel emocional doloroso e são seus companheiros desde cedo quando sai de casa e antes de chegar ao trabalho tem que deixar seu filho (com uma verdadeira mudança composta por bolsas e sacolas) na casa da avó, na escolinha ou na creche e durante o dia tenta acompanhar e resolver, à distância, as questões relativas ao filho tendo que recorrer aos telefonemas e breves contatos para ter notícias e/ou dar instruções.
A chegada a casa, após o dia de trabalho, é apenas o início de uma nova jornada para a mulher/mãe/profissional, pois a ela compete cuidar dos afazeres domésticos bem como cuidar dos preparativos para o dia seguinte que consiste desde a troca de roupas na bolsa da criança (que é enorme por sinal) até a colocação de brinquedos e medicamentos básicos (já prescritos anteriormente para situações emergenciais) sendo que sempre falta algum item, incrivelmente.
Por Valdessara Bertolino



















