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Joias para o cabelo
Se a profissão de hairstylist (ou a de visagista) existisse nos anos 1940, certamente esse seria o ofício de monsieur Louis Alexandre Raimon. Como não existia, ele era conhecido com um dos cabeleireiros mais badalados daquela Paris esfuziante de alegria devido ao pós-Guerra, o queridinho das madames que vestiam New Look. Seus chignons se tornaram uma marca registrada. Mas, como criador habilidoso e ousado que era, Alexandre quis ir além e criou sua própria marca, com arranjos para a cabeça de suas clientes estreladas, como as divas Grace Kelly e Audrey Hepburn, e as nobres duquesa de Windsor e Farah Diba. Tiaras, faixas, presilhas, grampos… hoje sua marca reúne tudo de bonito que há para se usar nos cabelos. E recentemente as brasileiras passaram a ter acesso às criações de sua marca – infelizmente, Alexandre faleceu em 2008 –, pois uma butique foi inaugurada no shopping Cidade Jardim, em São Paulo. O espaço reúne 350 modelos dessas preciosidades, capazes de transformar qualquer calça jeans e camiseta em um traje descolado e passíveis de trazer ainda mais brilho a vestidos de gala.
Como atua em um nicho muito restrito, o de acessórios para a cabeça, a marca aposta em um feitio artesanal, elaborado cuidadosamente no interior da França. Cada peça demora cerca de 10 dias para ficar pronta e usa as melhores matérias-primas disponíveis: de ouro a cristais Swarovski. O preço médio das peças no Brasil é de 200 reais. A pesquisa também sempre fez parte do desenvolvimento das peças. Pequenos dentes de borracha no interior das tiaras foram desenvolvidos por Alexandre para que elas não machucassem a cabeça de suas clientes. O resultado de tanto esforço, é claro, é primoroso. A comunicação é igualmente sofisticada. No site oficial da marca, por exemplo, aparecem frases como “É a história da beleza e do luxo francês que aparece no cabelo de uma mulher. É o tipo de objeto que guardamos pela vida toda, como uma testemunha de momentos preciosos”. Eterno, é claro, mas ao mesmo tempo efêmero, afinal, é assim que se sustenta o mercado da moda. Nessa engrenagem, Alexandre de Paris acompanha as tendências das passarelas e lança novas coleções duas vezes por ano. O único elemento comum a todas elas – além do já mencionado bom gosto – é a presença de pelo menos uma camélia, flor preferida de Alexandre. Ela é revisitada em diferentes materiais e cores, mas está sempre ali, como que para lembrar a história dessa marca e sua ligação com seu criador.
Com sua grife, Alexandre só fez aumentar a admiração em torno de seu nome e, de cabeleireiro adorado pela alta sociedade parisiense, ele se tornou criador admirado por seus pares. Um dos cabeleireiros mais conhecidos do Brasil, Marcos Proença, afirmou em seu blog que, ao conhecer uma loja da Alexandre de Paris, descobriu um mundo de possibilidades. “Aí descobri que, além de os acessórios serem lindos, eles têm um preço justo. São verdadeiras joias que vão acompanhar a mulher por toda a vida”, derrete-se. E olha que antes mesmo de ter sua grife, Alexandre já apostava nessa imagem de penteados inesquecíveis. Foi um marco na história da beleza quando, em 1961, ele colocou diamantes em um chignon que elaborou para Jackie Kennedy usar em um jantar no Castelo de Versalhes.
Por Estela Marchesini/Gestão do Luxo
Fotos: Reprodução




















